“O engenheiro da Caixa reprovou” costuma vir acompanhado de um item específico: um material ou serviço cujo custo foi lançado direto pelo preço de balcão — o que você pagaria numa loja de material de construção ou numa cotação avulsa — sem a composição de custo formal por trás.
Por que preço de loja não é aceito
Para o dia a dia da obra, cotar o preço do material e lançar esse valor funciona bem. Para a planilha que vai para a análise de engenharia, não — porque a análise não avalia se o preço final “parece razoável”, avalia se a composição de custo unitário está montada corretamente: quanto de material, quanto de mão de obra, qual a produtividade esperada, quais os encargos incidentes sobre cada parcela.
Um preço de balcão pode até coincidir, por acaso, com o valor de uma composição formal. Mas sem a composição em si, não tem como a análise confirmar isso — e o item volta como exigência, mesmo que o valor esteja correto.
O que muda numa composição de custo formal
Uma composição de custo unitário de verdade separa:
- Material — quantidade e preço unitário, com fonte de referência
- Mão de obra — produtividade (quanto tempo leva para executar aquela unidade de serviço) e encargos sociais
- Equipamento, quando aplicável
Cada linha tem justificativa própria. É esse detalhamento que permite à análise confirmar que o custo do item é compatível com o mercado e com o tipo de obra — não o valor final isolado.
O sinal de que isso pode estar acontecendo na sua planilha
Se o orçamento foi montado rápido, olhando cotação de loja ou valor de uma obra anterior “parecida”, e sem abrir cada item numa composição própria, é provável que pelo menos alguns itens estejam nessa situação — mesmo que o total pareça coerente. É o tipo de problema que só aparece quando alguém revisa item a item, não olhando o resumo.